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Hoje tirei o dia para contemplar. Dias chuvosos e meu estado de porosidade sempre me deixam mais pensativo. Embora essas mesmas condições também me levem ao distúrbio de coisas, de atenções do que pode estar na minha frente e, mesmo inconscientemente, não queira entender.
Diante da necessidade ansiolítica de escrever, de traduzir o q sinto, decodificar sonhos, impressões e angústias, perco o tempo que precisaria para entender tudo isso. Torno-me então, um analfabeto funcional de emoções. Muitas vezes coisas são ditas e escutadas.Mas o cérebro, sabendo de tudo, processa errado as informações. Tudo isso propositalmente combinado, numa eterna fuga. Eterna luta do sentir e não querer. Não exatamente aquilo que chega para ser contemplado.
Contemplar é mais que olhar. É estar tão poroso àquilo que se apresenta, que você é capaz de se misturar às fibras do objeto. Seja a natureza, uma obra de arte ou uma pessoa. Você simplesmente não entende como pôde viver tantos anos sem pertencer àquilo e acredita que o objeto é tão incrivelmente bom, que pode nem ser merecido. E o que se faz? Contempla-se. Mas é bom avisar aos marinheiros de primeira contemplação, que é um estado a ser alcançado: é preciso pegar, sentir, entender, apaixonar-se e assim sim, um portal cósmico se abre à sua frente e você entra nessa dimensão.
Agora, por questões pessoais, imagino a contemplação de uma pessoa. Quão bela, justa e boa ela deve ser para que se alcance este nível de visão. Remeto-me agora, invariavelmente, às questões do analfabetismo funcional das emoções. Porque, invariavelmente, queremos sentir o que não está dito e na confusão das confusões, achamos que estamos contemplando e na verdade, nem vendo estamos.
E essa turbulência toda acontece impreterivelmente, quando uma relação se acaba. Quando, por algum motivo você percebe que na verdade, a justificativa para que tudo acontecesse, é de que seu coração é míope. (E talvez ficando esquizofrênico.)
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