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Alguns momentos são difíceis de sair da nossa vida. Ainda mais quando estamos porosos. Sentimentos grudam e nem com a espátula da racionalidade conseguimos removê-los. Pessoas são difíceis de sair da nossa vida, por mais que estejamos conscientes dos erros, das incoerências e da não disponibilidade de fazer acertar.
O que fazer quando o tempo, a água e toda a objetividade da vida não removem aquilo que não queremos mais? Talvez digam: é porque você não se livrou completamente, conforme pressupõe. Não nego. Mas certas coisas, como manchas em roupas, necessitam de técnicas específicas. Vi outro dia que para remover chiclete da roupa, é necessário passar gelo, ele sai inteiro. Concordo e levaria talvez isso para a vida. O gelo endurece, mas remove.
O resultado disso pode ser a mudança de visão, de comportamento. Não se consegue ver mais ninguém que não seja a partir dos defeitos. Sei o quê não quero. Fato. E o que eu quero? Com certeza algo que seja diferente daquilo que não quer sair. E o que sai completamente numa superfície porosa? Nada!
O mais angustiante é ter a certeza de que não quero, e o objeto não desejado andar me acompanhando. Não me mobiliza, mas me persegue. Tentei a técnica do gelo. Saiu, endureceu, não gruda mais. Mas e o que ficou nos furinhos dos poros? É uma parte muito pequena, mas que existe ainda.
O pensamento volta-se às desaventuras, aos problemas, a tudo o que passei e que, definitivamente, não quero de volta. Deixei de ser eu, queimei a língua, quebrei a cara. Deixei de lado, joguei tudo fora, deletei de todos os lugares. Rejeitou tudo, como se eu não existisse. O que aconteceu foi a indiferença.
Que coisa mais estranha, essa indiferença que não sai.
Já que não quer sair, a opção foi passar massa corrida, tapar os poros. Até matar por falta de respiração. Sem piedade, sem mágoas, sem qualquer outra desculpa.
Agora não é hora pra saber se é certo ou errado.
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