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Sim, é a sorte do Orkut. Confesso que nunca dei muita trela pro que ele me diz, mas dessa vez me fez parar para pensar.
A primeira coisa que me veio a cabeça foi aquela música do Rapa, que questiona que paz é essa que tanto as pessoas falam, ou melhor, não agem. E eu concordo: não é paz, é medo. Medo de mobilizar-se e dar com os burros n’água, de ter a sensação de tempo perdido. Pobre quem pensa que uma luta perdida é perda de tempo. É ganho. Como na velha máxima, é no tempo de crise que mais se cresce.
Na verdade, desconfio dessas pessoas adeptas ao “paz e amor” incondicional. São realmente pacíficas ou acomodadas? Vejo nessas pessoas uma superfície lisa, chapada, sem muito atrito. Como funcionaria o relógio, sem o atrito de suas peças? Como andaria o carro, se não fosse pelo atrito da roda com o asfalto? Não vejo outra função para o atrito a não ser a mobilização.
Nesse sentido, como sempre poroso, sempre fui mal compreendido. Sempre saí como o argumentador, o brigão, o grosso. Mas existe uma força que me impulsiona, que me faz gritar pr’aquilo que incomoda, ou que está fora do eixo. E que todos passam e fingem que não veem, como um cachorro faminto na calçada.
Acredito sim, que a paz não é abdicação, é construção. E é por ela que eu brigo todos os dias
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